segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Entrevista Revista BOM FLUIDOS - Com Humberto Maturana e Xemena Dávila


Entrevista: Humberto Maturana e a importância do amor

O médico e biólogo propõe que o cultivo do amor seja um caminho para a realização humana e a coragem de se questionar, a única alternativa de quem ambiciona a paz.

Texto Cecilia Reis | Direção de arte Camilla Frisoni Sola | Design Luciana Giammarino | Fotos Fred Busch

BONS FLUIDOS: O que significa colocar o amor como um fundamento biológico do ser humano?
Humberto Maturana: O ser humano não vive só. A história da humanidade mostra que o amor está sempre associado à sobrevivência. Sobrevive na cooperação. Se a mãe não acolhe o bebê, ele perece. É o acolhimento que permite a existência. Numa de suas parábolas, Jesus fala do camponês lançando sementes ao solo. Algumas caem nas pedras e são comidas pelas aves, outras caem num solo árido e resistem por pouco tempo. Mas há aquelas que encontram boa terra e crescem vigorosas. Assim também nós precisamos de um solo acolhedor para nos desenvolver. Nosso solo acolhedor é o amor.
BF: Como a senhora, uma cientista, pode definir o amor?
Ximena Dávila: Esse não é um fenômeno eventual, mas uma condição básica e cotidiana que define as relações entre os humanos. Amar é uma atitude em que se aceita o outro de forma incondicional e não se exige ou se espera nada como recompensa. Amar implica ocupar-se do bem-estar do outro e do meio ambiente. Em vez de oferecer instruções do que e como fazer, amar é respeitar o espaço do outro para que ele exista em plenitude.
HM: O amor é a emoção fundamental que tornou possível a história da humanidade. Ele determina as condutas humanas, que, por sua vez, tecem o convívio social, entendendo aqui emoção não como um sentimento, mas como formas de relacionamento. O amor nos dá a possibilidade de compartilhar a vida e o prazer de viver experiências com outras pessoas. Essa dinâmica relacional está na origem da vida humana e determinou o surgimento da linguagem, responsável pelos laços de comunicação e que inclui ações, emoções e sentimentos.
BF: Na essência, todos nós somos criaturas amorosas?
HM: Todas as nossas condutas, mesmo aquelas que chamamos de racionais, dão-se sob o domínio básico de uma emoção, o amor. Não o amor místico, transcendental ou divino, e também não uma virtude especial de alguns, mas um tipo de relação em que todos se mantêm fiéis a si mesmos. Amar não é um substantivo, é um verbo, uma dinâmica relacional espontânea.
XD: Todos nós nascemos amorosos, mas vivemos em um momento histórico em que predominam relações de dominação, sentimentos agressivos, arrogância e competição, que se contrapõem aos fundamentos amorosos. Isso é o oposto do amar, pois amar é um respeito pela individualidade. Amar nos permite ser vistos, ter presença, ser escutados, enfim, existir como pessoa. É um tipo de comportamento em que não há expectativas e preconceitos – impera a aceitação do outro da forma como ele existe. O que estamos propondo é apenas recuperar em nós o que é constitutivo do nosso ser.
BF: Para vocês, o mundo é, de fato, um espaço acolhedor?
HM: O mundo sempre foi maravilhosamente acolhedor. Se assim não fosse, a história do ser humano não teria acontecido. Um ser só sobrevive em um entorno que o receba. Caso contrário, torna-se negativo e agressivo e não resiste. Apesar de vivermos um momento de negação do amor, só sobrevivemos porque essa emoção persiste nos vínculos que definem a vida em sociedade. É no amor que alcançamos o bem-estar e realizamos nossa condição humana.
BF: Normalmente entendemos o amor como uma relação idealizada, perfeita. Isso é um equívoco?
HM: Perfeição implica expectativa. Isso não é amor para nós. O amor verdadeiro não exige nada, não pede retribuição. Quando surge a exigência, desaparece o amor. Ele não admite críticas, pois elas significam a imposição dos desejos de alguém sobre outra pessoa e isso dissipa o prazer de estar junto.
BF: Se o amor é um fundamento do ser, como surge o desamor?
XD: O útero é um espaço de boa terra de onde “brotamos” convencidos de que o mundo nos receberá e cuidará de nós com ternura e respeito. Se assim for, conseguimos conservar a configuração emocional própria de seres amorosos. Entretanto, o nosso estilo de vida pode nos conduzir a um processo de autodepreciação, uma armadilha criada pelos padrões da cultura contemporânea. Para rebater esse mal-estar consigo mesmo, um drible são as conversas reflexivas – um exercício de autoconhecimento em que revelamos o que vivemos e como vivemos. Refletir não é pensar, mas agir de modo a perceber o sentido da própria existência e realizar nossa natureza amorosa.
BF: Alguém que nasceu no desamor pode se reestruturar?
XD: Sempre existe espaço para transformação. Num clima de desamor, esse processo traz sofrimento. Mas a dor tem sua função: ela faz refletir e nos permite examinar nossas atitudes conosco e com a sociedade e decidir se queremos continuar naquela direção ou não. Somos continuamente mutantes. Podemos gerar mundos distintos todos os dias e isso traz esperança. Nascemos com o potencial de cultivar espaços de bem-estar, capazes de ampliar a amorosidade que vivenciamos no útero materno. E, como seres amorosos, temos a capacidade de ressurgir do sofrimento.
HM: Cada qual tem de assumir o próprio processo de mudança. Não se pode querer transformar o outro. Isso não é um ato de amor verdadeiro – quando tentamos mudar o próximo, estamos visando nossos próprios interesses e valores. A transformação deve ser feita por cada um de nós e para o nosso próprio bem. Se alguém não merece seu amor, não tente interferir na sua conduta. Afaste-se. Você tem liberdade de escolher com quem quer estar.
BF: Qual o sentido do sofrimento?
HM: A dor nos faz perguntar. Apesar de difícil, é uma oportunidade única de transformação, assim como a curiosidade, que não nos permite submissão aos padrões externos. Quando tropeçamos dói o pé. Isso faz pensar sobre o modo de andar, a atenção ao caminhar, os desafios do trajeto. A dor da alma também ensina. Se alguém me repudia, tenho de perguntar o que estou fazendo para que isso aconteça. Investigar é oportunidade para crescer.
BF: E onde nasce a dor?
XD: Como seres criativos, precisamos de um ambiente que nos permita a expressão plena da nossa natureza amorosa. A dor surge de experiências decorrentes do desamor em que a pessoa aceita e, portanto, acredita que merece não ser amada. Para superar esse sentimento, ela tem de se reconectar profundamente com essa natureza. E reconhecer que as expectativas colocadas sobre ela são demandas arbitrárias próprias de uma cultura centrada no resultado e na competição. Enxergar tudo isso muitas vezes depende de um estímulo externo, uma conversa desprovida de expectativas e julgamentos.
BF: Viver é um esforço, aqui entendido como sofrimento?
XD: O único caminho possível é a reflexão. Mas refletir não pode ser encarado como um esforço. Se há esforço significa que estamos procurando soluções. Isso não é reflexão. Refletir é conseguir recuar da cena para enxergar – e entender – a situação por outro prisma e encontrar uma nova direção a seguir.
BF: Nesse sentido, o que significa refletir para a senhora?
XD: A pergunta primordial é: gosto de viver o que estou vivendo? Quando me disponho a essa pergunta, já estou revendo minhas posturas, fora do âmbito da dor e da angústia. A conquista da consciência passa por outras perguntas: será que o meu desejo é uma imposição do outro? Será que eu quero o que imagino que quero? A reflexão guarda o desejo de se transportar para uma realidade melhor. O processo pode ser desconfortável. E é justamente quando o bem-estar desaparece que surge a oportunidade de encarar as emoções que nos povoam.

Compartilho minhas anotações da palestra com os grande mestres HUMBERTO MATURANA E XIMENA DÁVILA no SENAC - Sábado dia 29 de setembro.






Anotações sobre a palestra de HUMBERTO MATURANA, em 29 de setembro – SENAC


Amar Educa.


-De onde surgem os preconceitos.  Dos nossos julgamentos? Da cultura em que vivemos? Da moral? Do conhecimento?
-Co inspirando: O que é uma conferencia?  É um converser amplo. Um entrelaçamento de linguagem dos sentidos e das emoções.  Imersos em redes de conversação são os sentires e as emoções que ustentam o fazer de viver e conviver.
·-Fazer. Perguntamos por quem faz e não pelo ser. Quem é você? Esta é a pergunta essencial da filosofia.  Estamos fazendo uma mudança de pergunta: Como você faz o que você faz.? Não tem resposta.  É uma Idéia.  Conhece Te a ti Mesmo. Orquestrar é conhecer a essência de algo.

- Eu posso dizer como fazemos a orquestra do que fazemos.   Quando eu conheço. Eu deixo de lado. Não vejo mais. Não tem mais presença.  Não quero conhece-los por que assim eu já sei como vocês são.

·- Porque somos seres biologicos. Culturais.   O que tem a ver a biologia conosco?   Somos uma dinâmica molecular autopoiética.  Não fazemos nenhum esforço para estarmos Vivos.

- Somos sistemas moleculares.   Somos seres moleculares.  Somos sistemas autopoiética. Mudanças de moléculas que consistem no mesmo sistema.  Nós produzimos a nós mesmos.  Então o que somos pode mudar….

·-Vivemos como Totalidade.  Temos uma estrutura dinâmica estamos constantemente mudando.  O contexto se refere ao nicho.  Ao entorno.  Que nos configura.  A conservação de um sistema autopoiėtico.  Este nicho é uma boa terra.  Todos pertencemos. Na tradição crista temos um conhecimento dos textos evangélicos. Parábola do semeador. Algumas sementes não florescem. Outras caem entre as pedras.  Outras cáem em boa terra.

-Seu nicho ecológico. O espaço onde se faz possível o seu existir. E vamos estando neste espaço. No útero.  Nesta matriz primeira, o útero nos acolheu.   Muitas vezes não nos encontramos em boa terra.  O espaço que nos acolhe de amar de escutar.  Nascemos como seres amorosos no espaço de sermos quem já somos. É uma confiança natural.  De que seremos aceitos amados, queridos de que não vamos cair.  
--Nascemos como seres confiantes de que seremos amados, queridos. Vivemos em uma cultura onde a terra muitas vezes não e boa.  A cultura é como a água para o,peixe.  Não temos consciência. Tem a ver com o não ser escutado, ser visto.  Esta boa terra é necessária e fundamental.  Se pensarmos como um camponês que põe sua semente na terra  que cultiva um certo tipo de planta tem que deixá- la descansar.  A planta recebe alimentos da terra e essa troca. A terra a transforma e a semente também.  Uma transformação coerente.   
  
- -Na medida que na convivência crescerá uma adulto que cria dor ou amor ao seu redor.

- Estamos nos transformando o  tempo todo. Estamos transformando o futuro da humanidade.  Ex um prof. de matematica. Que ama o matematizar. Ama a criança. Fica atento porque nesta relação o professor o leva a viver. E assim vivemos em um ciclo.  Esta tudo nos livros. Na internet.  Se o outro faz uma pergunta.  Nos mostra onde estamos com relação a eles. E se não há perguntas, não há relação.
·      
   Nascemos como seres amorosos, criativos, inteligentes.  O que este ser conheceu?   Em que água estivemos submersos?  Que cultura é essa?   Deste encontro nao é trivial.  Os dois vão se transformando de uma forma que os doís se transformam. Quando a criança faz perguntas a criança esta se relacionado. Neste processo, somos maravilhosamente responsáveis pelo que dizemos e pelas circunstancias do que dizemos mas não somos responsáveis pelo que os outros escutam… Como nos transformamos juntos…. Nao podemos especificar o que o outro escuta.  

·      Pode ser que escutamos de forma passiva." Por que eu sei eu estudei…. "Neste espaço fechamos todo espaço de conversação e quando um tem a verdade o outro nao tem chance nenhuma.   

·      Este espaço de quere objetividade.  Ser objetivo é  outro pensar como eu penso?   Você nao sabe o que eu sei.   .....  Isso acontece  na pratica diária.  O mundo que trazemos é distinto.  Vivemos em uma cultura de prejuízo (acusações, culpa, julgamento). Se eu tenho prejuízo com o outro eu não o escuto.

·      As crianças são esponjas.    

·      Professor a. E aprofessor. B.   Dois escutares distintos.   Um coloca no aluno o boné de burro. Iremos colocando rótulos e assim iremos cultuando sua identidade de "incapaz".   

Uma  atitude o sistema nervoso nao distingue o que é a realidade da fantasia.
·      Vivemos como valido este mundo dualista de bom ou mal
·      Todos cometemos erros.  E esses erros nao são intencionais.  Vivemos um viver que eu sou pobre vitima de todos essas pessoas….. Será que é assim?     As pessoas fizeram o que puderam.   Os pais fizeram o que puderam.  Quando percebem com consciência.   É uma experiência de vida.  Eu me dei conta. Com consciência.   Quando nao pede desculpa pode pedir reconhecimento e autenticidade.   E nao fiz isso intencional.    Quando me tratam como mentiroso. Nao me reconhecem.  Quando eu casei era valido.  Era o que eu queria.   Hoje eu quero um viver distinto. Isso é uma condição biológica.  O que esta vivo em mim?.  Naquele momento era valido.   

·      Somente percebemos depois que vivemos.    

·      Qual é o critério para dizer que o louco é louco? Ilusões nao são falhas do nosso sistema nervoso. Ex.  Vamos em ferias pescar trutas. OPS.  Ela caiu no anzol e se equivocou??? Todos nos seres vivos somos Assim. As ilusões são aspectos do nosso viver relacional.
·      O sistema nervoso nao distingue realidades virtual.  
·      Para o sistema nervoso é valido no momento em que vive. Quando as pessoas se esquivocam? Todos os seres humanos se equivocam.  Somos igualmente inteligentes.

·       A inteligência…  que fazemos em nossa cultura. Planificamos fazendo projetos.  Planificamos tudo  e queremos encaixar o contexto no que planejamos.
·       
·      Em outros domínios de conversação.  Somos igualmente inteligentes.  As dificuculades nao são de inteligência são de emoções. Os atrasos nao são de inteligência e sim por que no espaço relacional existe alguma dificuldade emocional.
·      Os conflitos humanos.  Somos seres autopoiėtica e um milagre diário. Esses seres maravilhosos…. os humanos...
·     
   Quanto mais diplomas mais inteligência?     

·      Podemos perguntar duas coisas:  Quanto deixamos o fluir. Escutamos?  Quanto escutamos.  Vivemos esta plasticidade? O que resulta é parte do processo. Em geral as crianças se atrasam por que os professores nao tem tempo. Estar disposto a entrar na dinâmica de escutar. Para que a criança possa seguir depois.

·      A pior forma de educar é o medo. O medo me paralisa. Porque buscamos aprovação do entorno. Como o outro surge como um outro? De sua própria legitimidade.  Viver sem exigência.  Depois que eu o vejo seguimos juntos.   Amar nõe é romântico nao é bom. Amar é nossa constituição bilogica.  Podemos cultivar nosso mundo.  Podemos cultivar nossa terra. A pista já esta aí….  Deixár que apareça.  Sem julgamento.  

·      Nao quero ir para escola por que o professor não me quer.  Não merece, nao me quer, nao me escuta.  Nao me vê, nao me quer.  Se nao tem tempo como criar um espaço relacional.? As crianças querem fazer as coisas direito.  

·      As crianças querem fazer as coisas direito.  Queremos fazer corretamente e se você não me quer, não me vê.  Amar educa ao ver. Educação e transformação na convivência.   

·      E leArning.  

·      A sensibilidade do bebê requer tato  acariciador.  

·      A confiança se relaciona com uma múltipla percepção sensorial. Não esqueçamos que até  os 10 anos a corporalidade e muito importante.  O que é  humano. O humanom surge no espaço de conviver. O que nos faz humanos é a linguagem e a conversação.

·      Por que tipo de convivência eu quero?  O encontro do abraço? É diferente em um encontro… 
     Para nos perguntar o que muda???? 
·      Tudo muda em torno das relações que se conservam….

·      Qual é o modo de vida.  Também temos oportunidade.   Que tipo de convivência queremos onde não se perca o humano o que nos faz humanos e a convivência.   Que mundo queremos?

Biologia cultural.  Juntos. Não separados.

As coisas que fazemos. Para eu me sentir bem eu preciso ser visto.

Podemos fazer uma educação amorosa.  Abrir o espaço de consciência para um espaço de convivência.   
Quando o jovem aprende um modo de viver.  Que modo ele aprendel? Qual será a a nova linhagem humana.  As crianças nascem e o que se passa no útero também é parte do que a criança vai ser no seu viver. 


Viver em um espaço com mais consciência.   Ensinar e educar.  Ensinar pode sem usado para mostrar.   Educar tem haver com a convivência.  Como se Faz?   Exemplo:
Pai, como se faz?
Alternativa 1 – O pai diz como faz e mostra como faz – Uma distância
Alternativa 2 – O pai pede para olhar no google – Uma distância
Alternativa 3 – O pai faz junto

Qual é a relação mais próxima e amorosa?


É um ato de maldade copiar da internet?   Qual é a relacção que queremos estabelecer com os jovens?     Queremos seres autonomos. Que se repetem a si mesmos.   Mas, mais do mesmo?  O que você quer?   As crianças buscam se individualizar.  Você vai refletir por si mesmo.  Vou me individualizar. Autonomia sensorial, reflexiva.  O que conduz um professor a ensinar uma pessoa a ser autônoma com respeito por si mesmo.   

Como distinguir o educar do julgar.  Sem julgamentos.  Mostrar como um convite

O modo de viver na rua é um modo de viver é legitimo para ele.   Para mostrar outro modo de viver porque se eu os tiro deste modo de viver preciso dar apoio integral para o novo. 

Vivi um modo de viver que me traíram de toda parte eu não nasci delinqüente eu me fiz delinqüente.   Ate que ponto estamos dispostos a dar uma oportunidade verdadeira???    
Nao é só uma intervenção e sim uma intervenção sistêmica que traz resultados 

Todos seres humanos somos seres humanos.   

Somos feitos para nascer assim.  Amorosos.  Esta é nossa biologia.  

Homo sapiens.  Sapiens amans para evocar que este sapiens ocorre em um espaço de convivência.  

Cada vez que se mete na onipotência e na arrogância o homem se destrói.   Nao estamos falando de conceitos quando falamos de amar.   Falamos da vida de cotidiano.   


Éscola matriztica Brasil.    

Ximena - quando escuto educação por competências eu escuto descriminação.    Uma forma Dualista. Causal. De que há menos e mais.   

Como acontece a formação das pessoas no grupo?    
Um modo de sentir.   De onde escolhemos este ou aquele.   Estão conservando algo.  As pessoas tem projetos comuns.  E geram consciência coletiva.  Dar se conta.    Quando nos perguntamos porque fazemos o que fazemos tomamos consciência.  Dar se conta do que estou fazendo.  Na dinâmica relacional este dar-se conta.  Perceber o que você esta fazendo na vida.   Vivemos sem responsabilidade por que não nos damos conta de quer  criamos o mundo em que vivemos.   Toda essa conversação.  O dar-se conta acontece através de conviver com pessoas que inspiram.  

Vivemos sempre um presente que muda podemos sempre transformar nosso viver.  A história. Somos produtos da história mas o viver acontece no presente.  O presente é tudo o que temos.  Se nos amamos vão nos amar e que somos seres amorosos.  Criando os mundos que vivemos no aqui e agora.  

Esperança não é esperar algo.  Podemos fazer coisas para transformar.   
A vida é simples o viver é simples desfrutar. Nóss geramos o mundo que vivemos viver é um milagre.   Geraremos um processo sistêmico.  Essa é a esperança que podemos mudar.    Nos nao trazemos uma boa nova.   A diferença é que somos conscientes da forma como queremos viver isso.   




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

SOMOS TODOS DO MESMO TIME - POR FABIO BROTTO - PROJETO COOPERAÇÃO


                                 


Sociedade e Cooperação.

                                                                                Fábio Otuzi Brotto 
                                                          Projeto Cooperação – Comunidade de serviços

1. Somos Todos do Mesmo Time!

Atualmente, não é difícil perceber o quanto somos-estamos ligados uns aos outros. E não apenas ligados aos outros que são-estão próximos da gente, mas nos percebermos conectados intimamente com pessoas, situações, lugares e acontecimentos, aparentemente, muito distantes e sem relação direta com nossa vida.
Compreendemos que estamos Todos Juntos num mesmo Grande Jogo e que seja lá o que alguém pensa, sente, faz ou não faz, afeta todos os outros e é afetado por todo mundo, sem exceção. Esta conscientização da Interdependência como uma característica factual de nossa existência, pode nos ajudar a perceber o quanto de Cooperação é necessário resgatar para dar conta das questões que estamos vivendo neste momento, quer sejam, na sala de aula, no bairro onde moramos, no país em que vivemos, no planeta que habitamos ou no universo onde existimos.

Desde o “Apagão” em escala nacional, até os “Trovões” da guerra no estrangeiro; da poluição dos carros à corrupção dos cargos; do barulho na sala de aula ao silêncio desejado da hora do intervalo; da falta de água aos excessos da liquidez econômica; da violência dentro de casa à busca de Paz mundial; somos todos tocados diretamente por tudo que ocorre na vida de cada um, em todo e qualquer lugar e tempo.  

Cada pensamento, sentimento, sensação e ação ou não-ação de qualquer um, afeta - e é afetado por – todos os outros – Nós da Teia da Cooperação. 

Nós inter-somos na co-existência cotidiana!
Porém, nem sempre temos tido consciência dessa Interdependência tão à flor da pele. Por isso, penso ser importante dedicar boa parte do que fazemos na escola, no trabalho, na comunidade e na família, para recuperar a Consciência dessa nossa inteireza e re-ligação.

Em parte, essa não conscientização é conseqüência de uma visão fragmentada da realidade e da gente mesmo. Saber-se Interdependente é antes de tudo, renovar a visão que temos sobre as diferentes relações que estabelecemos com os outros. É exercitar nosso olhar, olhando por outras óticas e renovando a Ética de Comum-Unidade no cotidiano. 

Creio que exercitando o olhar para além da superfície e das aparências, podemos aperfeiçoar nossas Co-Opetências (competências compartilhadas) para ver o que há de comum na diferença, o que há de proximidade no distanciamento e, especialmente, o que há de solidário no adversário. 

Contudo, nem sempre estamos abertos e sensíveis para perceber as relações de interdependência entre nós. “Não somente porque essas relações de interdependência não são objetos físicos visíveis aos olhos, mas fundamentalmente porque nem os nossos olhos e nem as nossas mentes   foram preparados e educados para vê-las” . Podemos reconhecer isto em algumas situações vividas no dia-a-dia, como por exemplo, no seguinte relato:

“A jovem mãe estava num carro de luxo encostado no Canal 4, com certeza esperando alguém. No banco de trás, uma criança de seus 3 a 4 anos brincava com uma bola. Os vidros estavam abertos no domingo de manhã. De repente, a bola pulou para fora do carro e rolou por entre os veículos que trafegavam na avenida. A menina começou a gritar. Um rapaz, sentado à beira do canal, de no máximo 18 anos, descalço e com camisa puída, levantou-se imediatamente e saiu atrás da bola, arriscando-se a um atropelamento. Vitorioso com o feito, sorrindo de orelha a orelha, trouxe  o brinquedo e devolveu-o à menina que, quando viu sua bola, batia palmas de alegria e entusiasmo. A mãe sequer olhou para o rapaz. Mexeu na bolsa, tirou uma moeda (não deu para ver quanto) e disse: ‘filha, dê o dinheiro para o mendigo’. Parado ao lado do carro, deu para ouvir o rapaz responder ‘não, minha senhora, eu não sou um mendigo, sou apenas pobre, não quero dinheiro, só fiz uma gentileza. Dá para a senhora entender isso?.”  

Para entender essa “gentileza” vinda de estranhos, é necessário limpar a lente que temos usado para enxergar uns aos outros e assim, nos liberar da “Ilusão de Separatividade”   e recuperar a Visão de Comum-Unidade para nos percebermos como partes uns dos outros.
Além dessa fragmentação na educação de nossos olhares e mentes, podemos reconhecer outros obstáculos à Interdependência real, como por exemplo: 

  • • “Quanto maior é a extensão do sistema social, os efeitos, benéficos ou perversos das  ações e omissões levam mais tempo para retornar a sua origem e tocar os agentes” 

Especialmente nos grandes centros urbanos, a sensação de distanciamento é tão acentuada que por vezes nos leva a considerar os acontecimentos como cenas de um filme que assistimos e que jamais protagonizaremos.
Nesse sentido, podemos desenvolver iniciativas para a reaproximação de pessoas e grupos que nos ajudem perceber cada ocorrência, cada fato, como fenômenos pertencentes à realidade da qual somos e fazemos parte. 
Penso que podemos criar pontos de ressonância na sociedade, pequenos grupos comunitários servindo como elos de ligação para comunicar com maior agilidade e fidedignidade os efeitos das diferentes intenções e ações que se manifestam no sistema. 
Tomar cuidado, zelar pelo campo de nossa co-existência deve ser uma atenção permanente, porque havemos ainda de considerar mais um bloqueio à Consciência de Interdependência:

  • • A distribuição desigual dos efeitos benéficos e maléficos no interior do sistema, impede que exista uma mobilização interdependente de indivíduos e grupos. Em outras palavras, nem todos são afetados no mesmo instante e com a mesma intensidade.  

Diante destes bloqueios -  e de tantos outros - à Interdependência como um fato, é preciso continuar olhando mais atenta, ampla e profundamente a vida, para podermos enxergar as relações de interdependência existentes entre tudo e todos. 

Ultrapassar essa “crise de percepção”, interdepende da nossa disposição em reconhecer que somos-e-estamos realmente interligados uns aos outros. 
Este é o primeiro passo para Exercitar a Paz-Ciência da Cooperação, ou seja, reconhecer a Cooperação não somente como um princípio, um valor ético, mas antes disto, compreendê-la como uma característica essencial da Vida e como uma condição para a vida na sociedade humana, característica essa, presente em nós desde os primeiros movimentos de nossa espécie pela Terra.


2. Cooperação

O desenvolvimento da Cooperação como um exercício de co-responsabilidade para o aprimoramento das relações humanas em todas as suas dimensões e nos mais diversificados contextos, deixou de ser apenas uma tendência, passou a ser uma necessidade e em muitos casos, já é um fato consumado  . 
Porém, não é definitivo.
É preciso nutrir e sustentar permanentemente o processo de integração da Cooperação no cotidiano pessoal, comunitário e planetário, reconhecendo-a como um “estilo de vida”, uma conduta ética vital, que esteve consciente ou inconscientemente, presente ao longo da história de nossa civilização. 
Contrariando o mito da competição como forma de garantir a sobrevivência e evolução humana, existe um conjunto amplo de evidências indicando que os povos pré-históricos, “que viviam juntos, colhendo frutas e caçando, caracterizavam-se pelo mínimo de destrutividade e o máximo de cooperação e partilha dos seus bens” . 
Ainda hoje, podemos encontrar culturas cooperativas em várias sociedades ancestrais existentes no planeta. Isto pode indicar uma boa reflexão sobre a natureza competitiva do ser humano, pois se essa idéia fosse totalmente verdadeira, seria lógico encontrar nas comunidades ancestrais (representantes da porção mais natural da nossa espécie), traços de uma cultura predominantemente, competitiva. Diferentemente disso, tem-se descoberto indícios de uma Cooperação quase que genética, como um ingrediente imprescindível para surgimento e evolução da Vida. 
Erich Fromm  , analisou trinta culturas primitivas e as classificou com base na agressividade-competitiva e no pacifismo-cooperativo. Ora, se existem sociedades humanas pacíficas e cooperativas, e outras agressivas e competitivas, podemos inferir que se há uma natureza humana possível de ser afirmada, esta seria uma natureza de possibilidades. 
A antropóloga Margaret Mead , depois de ter analisado diferentes sociedades concluiu que, os vários graus de competição e cooperação existentes, são determinados pelas respectivas estruturas sociais.  Considerando essa estrutura social como resultado das ações e relações dos membros de um grupo social, compreendo a  Cooperação e a Competição como desdobramentos das nossas escolhas, decisões e atitudes praticadas na interação com outros indivíduos num pequeno grupo, comunidade, sociedade, país ou no ambiente das relações internacionais.
Somos socializados e socializamos os outros para a Cooperação e Competição através da educação, da cultura e da informação. Portanto, tornar a sociedade Solidário-Cooperativa ou Solitário-Competitiva é uma ação política, isto é, uma arte pessoal e coletiva capaz de realizar o melhor (im)possível para todos.
Ainda de acordo com Humberto Maturana  , os seres humanos não são apenas animais políticos, mas, sobretudo  “animais cooperativos”. Para ele, a cooperação é central na maneira humana de viver, como uma característica de vida cotidiana fundamentada na confiança e no respeito mútuo. 
Isto talvez, nos ajude a entender um pouco melhor as dificuldades apresentadas por indivíduos e grupos que se dispõe a cooperar.  Porque confiança é algo a ser construído e permanentemente nutrido. Confiar é estabelecer um pacto de cumplicidade e de uma certa maneira, entregar o destino da própria vida, nas mãos uns dos outros.
Estivemos durante muito tempo, nos educando, treinando, nos preparando para não nos mostrarmos aberta e autenticamente ao outro. Aprendemos a dissimular, não nos expormos como somos mesmo, sob o risco de ao faze-lo, revelar nossas “fraquezas” e então sermos atacados e derrotados pelos “temíveis adversários”... os outros seres humanos.
Podemos despertar dessa ilusão e olhar mais claramente sobre essa pseudo-ameaça – a presença do outro - que imaginamos estar nos cercando. Podemos fazer crescer nossa habilidade de fazer contato e nos integrarmos mutuamente. 
Cooperação, confiança e respeito mútuo parecem ser um dos alicerces principais para a co-evolução humana. No entanto, precisamos reaprende-los, desenvolvendo o interesse pelo bem comum e o compromisso com uma Paz-Ciência da Cooperação exercitada no cotidiano.  


3. Um Jogo de Paz-Ciência

Considerando a Interdependência como um Fato da vida e a Cooperação como um Princípio, podemos imaginar a Paz como um Exercício diário, onde podemos aprender a harmonizar conflitos, balancear desequilíbrios, transformar crises e abraçar confrontos.
Desenvolver e praticar a Paz, significa assumir um pacto de co-responsabilidade, gerador de um im-pacto de eco-evolutividade, através do aperfeiçoamento da nossa habilidade de cooperar uns com os outros, gerando ordem na desordem (cosmos-no-caos), solidariedade na adversidade, companheirismo no individualismo e cooperação na competição. 
Se no passado mais remoto valorizamos demasiadamente o coletivo em detrimento do indivíduo, a partir da modernidade, quase que invertemos essa relação. Acentuamos o individualismo, contrapondo-o à dimensão gregária e mais solidária da sociedade humana.
De uma maneira ou de outra, tivemos posturas opostas que, exacerbadas, nos separaram da natureza, uns dos outros e da gente mesmo, nos levando a ver-e-viver a Ilusão de sermos isolados de tudo e de todos, tendo a competição como a principal estratégia para continuarmos existindo. 
Neste momento, estamos sentindo a necessidade-oportunidade de buscar um ponto de harmonia nessas relações, um caminho do meio, um centro de interesse como-um... uma Paz-Ciência da Cooperação.
Reconhecendo que somos partes de um mesmo todo, como se fossemos jogadores de um mesmo e único Time chamado Humanidade, podemos passar a realizar jogadas Solidárias e não mais solitárias; viver lances de Cumplicidade, ao invés de re-lances de egoísmo e separatividade. 

Todos podemos participar deste Jogo de Paz-Ciência da Cooperação, 
pois nele:

  • • Não há seleção dos melhores. Cada um é vital para o Jogo do momento.
  • • Não há primeiro nem último lugar. Há um lugar Como-Um.
  • • Não há vencedores nem perdedores. Todos jogam Juntos.
  • • Não há adversários. Somos todos parceiros de uma mesma jornada.
  • • Não há troféus, nem medalhas. Já ganhamos tudo o que precisávamos ter... 
  • • Sabemos que a verdadeira conquista é poder continuar jogando uns com os outros para VenSer... Feliz!

Somos como Há-Gentes da Paz-Ciência da Cooperação, ousando ir além, sem saber com quem, vivendo a (in)certeza da eterna descoberta e ultrapassando as fronteiras ilusórias que nos separam e distanciam. Sendo assim, às vezes, ainda, podemos ser vistos como românticos, quiméricos ou ingênuos... Não nos importemos. 

Somos tudo isso sim, que bom! 
Sigamos sendo In-Genuos... mesmo. Isto é, refletindo nos inteiros-ambientes de nossa Comum-Unidade, o que é genuíno dentro da gente: 

A Confiança na Beleza e no Poder do Som-Tom-Dom-Com que trazemos no coração, algo essencial para servir ao florescer de mais um tempo de Paz...ConsCiência...  
e Cooperação para construir um mundo onde todos podem VenSer... Feliz!


1 ASSMANN, Hugo e SUNG, Jung Mo. Competência e sensibilidade solidária: Educar para a esperança. 2a. ed. Petrópolis, RJ : Vozes,  2000.
2 SANTANA, Luiz Gonzaga Alca – Jornal “A Tribuna”, Santos, out/2001.
3 WEIL, Pierre. A  neurose do paraíso perdido. São Paulo : Espaço e  Tempo : Cepa, 1987. 
4 MARIOTTI, Humberto. As paixões do Ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo : Palas Athena, 2000.
5 HENDERSON, Hazel. Construindo um mundo onde todos ganhem: a vida depois da guerra da economia global. São Paulo : Cultrix, 1996.
6 ORLICK, Terry. Vencendo a Competição. São Paulo : Ed. Círculo do Livro, 1989, p. 17.
7 FROMM, Erich. A anatomia da destrutividade humana. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
8 MEAD, Margaret. Cooperation and competition among primitive people. Boston : Beacon, 1961.
9 MATURANA, Humberto R. Emociones y lenguaje en educacion y politica. Santiago: Hachete, 1990.

(*) Texto originalmente publicado no livro: Circulando Cooperação. Santos : Projeto Cooperação, 2003.